Black Bullet | Vol 1 - Cap 2 (Parte 4)

 





Black Bullet
Volume 01 - Capítulo 02 (Parte 04)

-Parte 4- Dia seguinte.

Rentaro ficou sem palavras ao desligar o telefone. Seu braço caiu molemente e ele não se recuperou do choque por um tempo. Olhando ao seu redor, ele viu nuvens finas como as do dia anterior e folhas de cerejeiras que pareciam que estavam prestes a se espalhar pelo vento forte. O céu parecia que ia começar a chorar a qualquer minuto. Fora da escola, Rentaro estremeceu ao ouvir o sinal para iniciar as aulas, mas suas pernas estavam pesadas e ele não estava com vontade de ir para a sala de aula.

Durante o intervalo entre o primeiro e o segundo período, ele percebeu que tinha que explicar que Enju estaria ausente para o professor da sala de aula e foi para trás da escola para ligar de seu celular.

A resposta que obteve foi completamente inesperada.
Rentaro olhou para a escola e ficou pensando se deveria voltar correndo para a sala de aula ou não, mas no final, ele se virou e se dirigiu mais uma vez para a Escola Primária Magata.

Ele foi para a sala dos professores e se encontrou com a professora da sala de aula de Enju. O rosto do professor parecia que ele também não entendia o que tinha acontecido. "Sim, Aihara está na escola."

Rentaro vasculhou sua memória e só agora percebeu, com pesar, que sua mochila e um conjunto de livros haviam sido retirados de seu apartamento. Depois de deixar o bueiro no dia anterior, ele procurou no Distrito 39 até o pôr do sol, mas não obteve nenhuma informação valiosa e seus pés se arrastavam enquanto voltava para o apartamento.

O professor levou Rentaro para a sala da classe 4-3. Eles espiaram a situação lá dentro pela janela da porta deslizante nos fundos.

Lá estava ela. Mesmo sendo hora do intervalo, ela se sentou sozinha, olhando para baixo resolutamente, seus olhos fixos na mesa, prova de sua vontade de ferro. Havia espaço extra entre sua mesa e as outras, e seus colegas tratavam Enju como se ela não estivesse lá.

O coração de Rentaro se partiu com a visão lamentável. Ele queria gritar para ela parar. Mas essa era provavelmente a maneira de Enju lutar. Ele não tinha o direito de impedir.

"Você quer vê-la?" o professor perguntou.

Ele queria vê-la. Ele tinha uma montanha de coisas que queria perguntar a ela quando o fizesse. Enquanto Rentaro apertava o peito, tirou uma seringa com a tampa do bolso da camisa e a entregou ao professor. Dentro havia um remédio líquido azul cobalto.

"O que é isso?" disse o professor.

“É um remédio especial...” Rentaro balançou a cabeça. "Não, não vou mentir mais. Este é um medicamento inibidor de corrosão Gastrea. Por favor, dê a ela.”

Dizendo exatamente isso, ele deu as costas ao professor, que o olhou interrogativamente, e lançou seu corpo aos ventos violentos. O Enju continuaria a frequentar a escola assim? Mesmo sabendo que ela só se machucaria?

Perdendo a vontade de voltar para sua própria sala de aula, Rentaro se dirigiu ao hospital universitário onde Sumire estava. Ele ia à escola todos os dias há algum tempo, mas percebeu com um sorriso amargo que estava começando a faltar às aulas novamente.

Ao passar pelos objetos protegidos com gravuras de demônios e entrar no porão, a Dra. Sumire acabava de sair da sala de cirurgia. Tirando o uniforme cirúrgico verde e a máscara e jogando-os no lixo, ela ergueu os cantos da boca e disse: "Ei". A rainha deste porão estaria sempre aqui para dar as boas-vindas a Rentaro com seu sorriso estranho, aconteça o que acontecer, venha o inferno ou a maré alta.

"Doutora, o que você estava fazendo?" Rentaro perguntou a ela.

“Eu tinha algum tempo livre e não aguentava mais, então fui terminar com Charlie. Infelizmente, ele foi transformado em pequenas partes. Ah, embora tenha sido extremamente estimulante, estou um pouco triste porque agora tenho que encontrar um novo amante amanhã.”

Rentaro olhou para as portas duplas de onde a médica farta havia saído. Os aromas que estavam por toda a sala estavam lá apenas para mascarar os odores intensos que saíam da sala de dissecação que ela chamava de "cozinha".

“Não é muito, mas sinta-se em casa”, disse Sumire.

Rentaro ficou em frente às estantes que cobriam a parede esquerda da sala. Ela era uma maníaca do cinema e tinha tudo amontoado nas prateleiras. Ele não tinha certeza se era porque ela era apenas o tipo de pessoa que jogava tudo na estante, mas ao lado de A Décima Dimensão vs. a Décima Primeira Dimensão: Settling String Theory!!!!, um livro que parecia que era sobre a teoria quântica, estava o "Treinamento Proibido 24 horas: Esposa gravida do meu irmãozão", um jogo adulto. Terrível.

“Você realmente é de outro mundo, doutora,” ele disse.

"O quê, você acabou de notar?" ela disse.

“Universidades famosas admitem pessoas com base apenas em seus resultados em testes, então elas acabam como ninhos de excêntricos."

Sumire riu. "Não fique com ciúmes, garoto bobo. Eu sou um gênio porque meus pais eram gênios. Isso traz de volta memórias. Quando eu era jovem, mamãe costumava ler o Inferno de Dante em suas Divinas Comédias para mim como uma história para dormir. Isso foi tudo que ela leu, e ela leu indefinidamente. A miséria de uma pessoa enviada para o inferno... ” Ela riu.

"Então, sua família tem sido estranha desde a geração de seus pais, hein?"

"Vou dissecar você vivo."

"Não, por favor, isso não!"

“Oh sim, a propósito, o demônio que tem a face do anjo caído, Lúcifer, ou devo dizer o rei demônio, Satanás? Está relacionado com as Divinas Comédias. É um presságio inesperado, você não acha?"

“Se eu me importasse menos, estaria morto.”

"Agora, vamos ver... do que estávamos falando? 'A palavra Erromango, que é o nome da ilha, Erromango, significa" Eu sou humano", mas você não acha que há alguma verdade em como parece erótico?' Foi aí que paramos?"

*NOTA/R: "Erro" lembra a palavra "Ero", que tem um significado erótico em japones.*

"Pare de mentir. Não estávamos falando sobre isso!" Rentaro ficou enojado. Por que ninguém ao seu redor ouviu o que os outros tinham a dizer?

“Eu estava brincando, seu menino mesquinho e inflexível. Não posso deixar de me sentir mal por sua amada Kisara."

"N-não diga isso!"

"Ah, falando nisso, sua chefe veio mais cedo."

Os cabelos de sua nuca se arrepiaram e ele olhou desconfortavelmente da esquerda para a direita. "Ela estava aqui?"

"Sim, e ela não estava feliz. Ela disse que, como você nunca a visita na sala do conselho estudantil, ela vai até sua sala de aula para procurar por você, mas você nunca está lá."

"É porque eu sempre fujo para evitar vê-la."

“Por que você está fazendo isso de novo? Ela é uma idol na escola, não é?"

"Bem, ela é meio f-fofa, mas isso é só porque ninguém sabe como essa mulher realmente é. Se ela se irritasse, ela atiraria nos colegas com uma Magnum semiautomática...” Mas, ele pensou enquanto sua voz sumia, ela também foi quem forneceu a Rentaro, o oficial da civsec, armas e munições gratuitamente.

Era natural que os oficiais civis e as empresas de armas trabalhassem juntos. Por exemplo, a Bastard Sword Mark IV Gibraltar usada por Shogen Ikuma era da Escari, a empresa que o apoiava. Ao apoiá-lo e fazê-lo usar seus produtos e ser um testador de seus novos produtos, eles poderiam dizer "Usado por Shogen Ikuma!" em suas campanhas de marketing, por isso era extremamente natural que empresas como essa se dedicassem a encontrar Iniciadores e Promotores talentosos. Contudo-

"Em que parte de mim ela detecta talento?" Rentaro disse.

“Você tem um rosto tão infeliz que ela provavelmente só se sentiu mal por você”, disse Sumire.

"Isso é ridículo..." Dizendo isso, ele de repente se lembrou de algo e estreitou os ombros. "Doutora, desculpa... Na verdade, vim hoje porque queria um conselho."

Colocando o longo jaleco branco que pendia sobre sua cadeira, ela puxou uma cafeteira e dois copos à prova de calor, dizendo "Hmm..." Enchendo os copos até a borda com café, ela deslizou a xícara de Rentaro até ele, onde parou em Frente a ele.

Enquanto o café quente fluía para o estômago, Rentaro sentiu o nó no peito aumentar. Rentaro contou tudo a Sumire - sobre a garota que foi baleada, a fuga de Enju e o que ele passou para encontrá-la.

Eles chegaram em um momento de silêncio. Sumire, com a mão no queixo, tinha no rosto uma expressão grave que Rentaro nunca viu antes. Rentaro de repente sentiu-se inquieto e massageou a palma da mão. "D-doc?"

"Hmm? Oh, desculpe, estava pensando no que fazer para o jantar esta noite”, disse Sumire.

"Ei, espere um minuto!"

"Eu parei de ouvir no meio do caminho porque suas preocupações são tão normais que eu estava ficando entediada."

"O-o quê...?"

Vendo Rentaro olhando congelado para seu copo, Sumire empurrou para desferir o golpe final. “Ei, Rentaro, a humanidade vai se extinguir um dia, você sabe. Pode ser em alguns milhões de anos, quando toda a Terra congelar, ou em um futuro distante, quando for engolida pelo sol em expansão. Ou a terra com os Monólitos poderia ser destruída amanhã, e os Gastrea poderiam surgir e matar todos.

“Filmes maravilhosos, romances famosos escritos por mestres literários, belos edifícios - todos eles cairão em ruínas e retornarão ao nada em um futuro distante. Você entende isso? Do ponto de vista do universo, essencialmente, não há razão para os humanos estarem vivos.”

Ver o sorriso maníaco no rosto de Sumire causou arrepios na espinha de Rentaro. Ela parecia dominada pelo niilismo.

*NOTA/R: "Niilismo" = ponto de vista que considera que as crenças e os valores tradicionais são infundados e que não há qualquer sentido ou utilidade na existência.*

“Ei, Rentaro, por que os Gastrea tem que ser exterminados, afinal?”

Ele foi pego de surpresa e vacilou por um momento.

"Você não pode dizer?"

“Não, espere”, disse Rentaro, encontrando a língua. "É porque os Gastrea são inimigos da humanidade que atacam os humanos e reescrevem seu DNA, é claro."

“Resumindo, é porque os Gastrea são organismos inconvenientes para os humanos terem por perto, certo? Mas você não acha que a humanidade é um pouco mimada? Eles descansam sobre os louros, certos de que são o pináculo da evolução e desprezam outros organismos, mas isso é só porque eles não podem evitar se sentir superiores a outros organismos com base na consciência que adquiriram."

“Mas se você pensar sobre isso com cuidado, é nossa consciência que está nos dizendo que nossa consciência é a prova de que somos organismos avançados. Enquanto os humanos forem humanos, não há como provar isso objetivamente. Por exemplo, o que dizer de dos Gastrea? Eles têm a capacidade divina de interferir nos genes de um organismo e redesenhá-los, certo? Você não poderia dizer que essa é uma habilidade que ultrapassa nossa "consciência"? Ele morreu no Japão, mas em todo o mundo, há uma série de religiões que consideram so Gastrea sagrados. Que eles são mensageiros divinos que surgiram para purificar este mundo corrupto.”

"Sério?" disse Rentaro, surpreso. "Por quê…?"

Sumire continuou. “Os humanos estão usando todos os recursos e são a causa da rápida destruição do mundo. Da perspectiva da espaçonave Terra, se os Gastrea controlassem o mundo, eles provavelmente seriam capazes de dirigir a nave muito melhor. Diz-se que toda a vida é passageira. A ideia de que a Terra é apenas uma pousada temporária para todas as criaturas vivas ficarem. Não somos nós, humanos, deixando a estalagem muito bagunçada? Não faria sentido para nós arrumar a cama com cuidado antes de passá-la para a próxima geração de governadores?”

Rentaro fingiu beber seu café, perdido em pensamentos. “Não é a mesma desculpa de ecologistas profundos? Com muita ecologia, os humanos acabam não sendo mais necessários. Mesmo que haja pessoas por aí que afirmam isso dos Gastrea, não posso concordar com elas. Enfim, se eles são mensageiros divinos, então o que as
Crianças amaldiçoadas deveriam ser?"

“Elas são as mais adequadas para serem substitutos de Deus como mensageiras entre os humanos e Gastrea.”

Antes que ele percebesse, ele não aguentou mais e se levantou. “Enju é humana. Ela é humana com personalidade própria e vontade própria! Nada mais nada menos."

O café que se derramou com seu movimento formou um riacho que levou a um pequeno rio que pingou da borda da mesa e caiu no chão. Sumire abriu os braços de brincadeira em aprovação. "Isso é exatamente certo. Viu? Você entende.”

"Oh." Ela o havia armado. Quando ele percebeu isso, de repente ele ficou envergonhado e desabou em sua cadeira. Ela propositalmente disse coisas que o incomodariam. Tudo o que ela estava dizendo era para forçá-lo a confessar honestamente seus sentimentos sobre Enju voluntariamente. Ela o tinha na palma da mão.

“Ei, Rentaro”, disse Sumire. “Pelo menos você sabe quem você é
e de onde você veio. Enju nem mesmo tem isso." "Hã?" disse Rentaro, confuso.

“A maioria das crianças que moravam no Distrito Exterior foram abandonadas. Como essas meninas nasceram depois que perdemos a guerra, elas não conhecem os rostos de seus pais e tudo que elas já conheceram é o pequeno mundo da Área de Tóquio. Elas estão sendo rejeitadas por tantas pessoas, mesmo sem saber de nada, sendo desprezadas. A primeira geração dessas meninas logo estará entrando na adolescência e, por causa dessas origens, elas definitivamente sofrerão com a perda de sua identidade. Eu esperava que você pudesse estar lá para ajudar a conduzir Enju através disso - vocês são uma família, certo?"

A boca de Rentaro se abriu ligeiramente e ele sentiu arrepios na espinha. Quão longe ela...? "Doutora, eu vou ver como Enju está.”

Sumire acenou com a mão fracamente e não tinha mais intenção de olhar para ele.

Ao sair do hospital universitário, seu celular tocou. Era uma ligação de um número desconhecido. "Olá, é Satomi." Ele sabia quem era pela voz.

"Sim, sou eu."

“Este é o professor da sala de aula de Aihara. Houve um incidente com Aihara... Você pode vir para a escola imediatamente?”

Quando Rentaro chegou aos portões da escola, ofegante, uma pequena multidão se reuniu. Havia uma parede de pessoas cercando duas pessoas que estavam discutindo.

Três garotas passaram por Rentaro.

"O que está acontecendo?"

“Lembra daquela garota da classe 3? Aparentemente, ela era uma
Portador do vírus Gastrea.”

"De jeito nenhum! Acho que a toquei antes. O que devo fazer?"

“Eu nunca gostei dela. Ela sempre agiu como se fosse melhor do que todo mundo.”

Sentindo uma sensação incômoda de déjà vu, Rentaro sentiu-se sufocado e afrouxou a gravata ao se aproximar do círculo de pessoas. De onde ele estava, ele não conseguia ouvir o que eles estavam discutindo, mas ele podia ouvir as vozes de duas pessoas. No entanto, o que estava acontecendo era decididamente unilateral. Quando alguém que parecia um menino gritou, a multidão ao redor gritou encorajamento, mas quando a menina gritou, tudo o que conseguiu foram olhares frios e mortos e um silêncio crítico.

Quando Rentaro percebeu que a pessoa dentro do círculo era Enju Aihara, teve vontade de vomitar e cobriu a mão com a boca. Seus piores temores haviam se tornado realidade. Quando ele começou a andar em direção a Enju novamente, ele ouviu murmúrios ao seu redor que o deixaram doente.

“Realmente havia Olhos Vermelhos ao nosso redor. Por que os oficiais do civsec não os exterminam?”

“Ugh. Seus olhos brilham vermelhos. Gostaria que pessoas assim não fossem à escola.”

“Não saia do gueto do Distrito Exterior.

Quem você acha que está protegendo a paz da área de Tóquio?! Rentaro foi dominado pela vontade de correr para o meio da parede de gente e mandá-los todos voando. Mas vendo suas expressões, ele teve que baixar o punho. A maioria das pessoas eram espectadores ou fofoqueiros inúteis, mas havia alguns rostos pálidos que estavam seriamente com medo de pegar o vírus Gastrea. Se eles tivessem sido educados adequadamente, eles saberiam que, a menos que recebessem uma grande quantidade de sangue da menina, não poderiam pegar o vírus dela.

Rentaro já tinha visto o menino que estava discutindo com Enju na foto da classe dela antes. Seu rosto e cabeça raspada pareciam pertencer a um pequeno jogador da liga enérgica, mas agora, seu rosto estava vermelho-arroxeado e ele pressionava Enju por uma resposta com uma voz estridente. “Meu pai bebia todos os dias e batia em minha mãe desde que sua perna foi comida por um Gastrea durante a guerra!"

"Por causa de todas as mortes, minha família...! "

Enju balançou a cabeça furiosamente. "Não! Não fui eu. Eu sou humana!"

"Isso é nojento, como você finge ser humana."

"Eu sou humana!"

"Cale a boca, seu monstro!"

"Eu sou humana!"

"Não é!"

Rentaro baixou os olhos, cerrando os dentes. Era muito difícil assistir. Isso não era mais uma conversa - ela estava apenas sendo rejeitada unilateralmente.

"Não importa o quanto você trabalhe duro para esses caras, eles vão continuar traindo você."

Isso foi exatamente o que Kagetane disse que aconteceria.

Lágrimas de frustração brotaram de seus olhos. “Enju…”

Quando Enju o notou, seus olhos se arregalaram e ela deu um passo para trás. “R-Rentaro…”

Percebendo que ele estava conectado a Enju de alguma forma, a parede de pessoas se abriu e um silêncio desagradável caiu. Rentaro pisou firme na areia do pátio da escola com a sola dos sapatos e caminhou lentamente em direção ao centro. O garoto que estava atacando verbalmente Enju hesitou e disse: "Oo que você quer?" tentando agir duramente.

Rentaro passou direto por ele e ao chegar em Enju a abraçou silenciosamente. Rentaro fechou os olhos e falou devagar, pontuando cada sílaba. “Enju, vamos mudar de escola.”

Em seus braços, o corpo de Enju se moveu ligeiramente. O corpo frio de Enju tremia enquanto ela encharcava o ombro do uniforme de Rentaro com suas lágrimas quentes. "Eu... não quero... desistir... fiz tantos amigos..."

“Eles não são mais seus amigos.”

Ele ouviu Enju fungando. “Está tudo acabado para mim? Eu não posso começar de novo?”

"Sim, acabou tudo. Levará mais algum tempo antes que o mundo esteja pronto para aceitá-la.”

"Mas temos que continuar lutando?"

Rentaro fez uma pausa. "Sim." Rentaro enxugou as lágrimas dela com a ponta dos dedos e colocou um lenço no rosto dela, deixando-a chorar um pouco. Finalmente, ele a soltou e a fez se levantar, sorrindo para ela.

"Agora, pelo menos saia com a cabeça erguida."

“Mas minha bolsa está na sala de aula.”

"Essas coisas ainda importam?"

“N-não! Você está certo!" Enju enxugou os olhos na manga e agiu alegre.

Isso mesmo, Enju.

Naquele momento, o telefone de Rentaro vibrou. Ele pensou em ignorá-lo, mas depois de ver o nome na tela, apertou o botão ATENDER.

"Satomi, eu sei onde fica o esconderijo do Gastrea," disse a voz de Kisara do outro lado da linha. “Fica no Distrito 32.”

“Kisara, quero dizer presidente…”, disse Rentaro. “Como foi até o Distrito 32?”

"Escute isso. Parece que o Gastrea pode voar.”

Ele pensou ter ouvido errado e mudou o telefone para pegá-lo melhor. “O infectado se tornou uma Aranha Modelo, certo? Portanto, a fonte Gastrea também deve ser uma Aranha Modelo. O que você quer dizer, uma aranha pode voar?”

“Apenas se apresse e vá para o esconderijo. Os outros oficiais do civsec também estão atrás da fonte Gastrea”- ela bufou de triunfo e continuou - “mas a Agência de Segurança Civil Tendo chegará lá primeiro. Tenho sua localização no GPS e contratei alguém incrível, então persiga o Gastrea com eles. Para obtê-los, tive que usar minha mensalidade para o próximo semestre. O que significa que se outra pessoa receber o crédito, terei que abandonar a escola! Você entendeu? Portanto, trabalhe duro e dê o seu melhor.”

"Ah, ei, espere, Kisara...?" Ao ouvir o tom de discagem vazio, Rentaro suspirou e fechou o celular. O que diabos ela quis dizer com “Eu contratei alguém incrível”?

Naquele momento, ele pode ouvir comoção misturada com gritos no pátio da escola. Rentaro olhou na direção que a multidão apontava. Em pouco tempo, ele pôde ver algo que ficava maior à medida que se aproximava. Finalmente, estava tão perto que as vozes não podiam ser ouvidas por causa do rugido estrondoso dos rotores, e as ondas de choque afastaram as nuvens de poeira do pátio da escola.

Quando Rentaro estreitou os olhos e olhou para cima, o céu acima dele estava tingido de azul com o corpo polido de uma aeronave. No meio da aeronave estava a imagem de uma cobra enrolada em um bastão. Era o emblema do deus da medicina, Asclépio. Rentaro estremeceu por dentro. Igual a uma garota rica. Ela fez tudo em grande escala.

Olhando estupidamente para o céu, um dos professores murmurou: "Helicóptero Medevac..."

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Tradutor: Ascherit
Revisor: Ascherit